Tabula Rasa

Fevereiro 13 2009

Mais um passo de gigante foi ontem dado pela ciência. No dia em que se comemoravam os 200 anos do nascimento de Charles Darwin, foi apresentada por Svante Pääbo, antropólogo do Instituto Max Planck, a sequência de cerca de 60 % do genoma do Homem de Neandertal.
O Homem de Neandertal (Homo neanderthalensis) é uma espécie extinta do género Homo que habitou a Europa e partes do oeste da Ásia, desde cerca de 250.000 anos atrás até aproximadamente 29.000 anos (Paleolítico Inferior e Médio), tendo a partir de dada altura coexistido com os Homo sapiens. Alguns autores, no entanto, consideram o Homem de Neandertal e os humanos modernos, subespécies do Homo sapiens (nesse caso, Homo sapiens neanderthalensis e Homo sapiens sapiens, respectivamente).
Muitas dúvidas existem quanto à forma como decorreu a coexistência entre o Homo sapiens sapiens e o homen-de-neandertal em locais como no sul da Península-Ibérica ou na Dalmácia. Há quem defenda que a baixa densidade populacional da época permitiu que os dois não tenham estabelecido contacto, evitando qualquer forma de, hibridação. Outros autores, porém, baseando-se, por exemplo, na descoberta de um fóssil de um menino de quatro anos conhecido como o "Menino de Lapedo", em Vale do Lapedo, Portugal, crêem que está provada a ligação e cruzamento do homem moderno com o "Homo sapiens neanderthalensis", sendo que a população actual seria resultante dessa miscigenação. Outros autores, ainda, preferem uma abordagem de “meio termo”, crendo que poderão ter existido contactos pouco relevantes a nível cultural e mesmo genético, já que podiam, até, considerar-se como espécies assumidamente diferentes.
Esta discussão, complexa, tem gerado alguma polémica entre os autores que preferem uma abordagem genética e paleoantropológica e aqueles que dão maior importância ao contexto cultural da evolução humana. Teorias como a conhecida "Out of Africa", ao propor que o homem moderno teve origem em África e se disseminou por todo o planeta num processo de "colonização" de cerca de 80 000 anos, não admite a miscigenação entre os dois grupos. Outras teses, contudo, de carácter "regionalista", defendem que vários tipos humanos evoluíram simultânea e gradualmente, estabelecendo contactos que permitiram a emergência do Homem moderno - estes teóricos são, portanto, mais favoráveis à hipótese do cruzamento entre estes dois tipos humanos.
O certo é que, os estudos mais actuais parecem demonstrar que pouco ou nada subsiste do património genético dos Neandertais no ADN do homem actual, existiu sim, um antepassado comum ao Homo de Neandertal e ao Homo Sapiens, com uma idade de cerca de 700.000 anos, período após o qual as duas linhas evolutivas teriam seguido caminhos evolutivos diferentes. Esta tese sai agora reforçada, com a descodificação do genoma, que aponta de forma quase definitiva, para a impossibilidade da hibridação, reforçando a linha do modelo “Out of África” que excluí, por completo a nossa descendência a partir dos Neandertais.
publicado por Cristina às 12:05

Obacio.brigada pela lição. gostei de ler e saber. Há mais ? bacio.
Peter a 16 de Fevereiro de 2009 às 21:18

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